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Poesia: Eis o Homem
 

Brotei do ventre da Pampa
que ├ę P├ítria na minha Terra.
Sou resumo de uma guerra
que ainda tem importância.

E, diante de tal circunstância,
Segui os clarins farroupilhas
E devorando coxilhas,
Me transformei em distância.
Sou do tipo que numa estrada
Só existe quando está só.
Sou muito de barro e p├│.
Sou tapera, fui morada.
Sou a velha cruz falquejada
Num cerne de curunilha.
Sou raiz, sol farroupilha,
Renascendo estas manhãs,
Sou o grito dos tahas
Coejando sobre as coxilhas.

Caminho como quem anda
Na dire├ž├úo de si mesmo.
E de tanto andar a esmo,
Fui de uma a outra banda,
E se a inspira├ž├úo me comanda,
Da trilha logo me afasto
E at├ę sementes de pasto
Replanto pelas vermelhas
Estradas velhas parelhas,
Ao repisar no meu rastro.

Sou a alma cheia e tão longa,
Como os caminhos que voltam
Substituindo os espinhos
E a perda de alguns carinhos.
Velhos e antigos afrontes,
Surgiram muitos, aos montes,
Nesta minha vida aragana,
Destas andan├žas veterana,
De ir descampando horizontes.

Sou a briga de touros
No gineceu do rodeio.
Improt├ęrio em tombo feio,
Quando o ├şndio cai de estouro.
Sou o ru├şdo que o couro faz,
Ao ro├žar no capim.
Sou o rin-tim-tim da espora
Em a├žo templado.
E trago o silêncio guardado,
Do pago dentro de mim.

Fazendo vez de orat├│rio,
Sou cacimba destampada,
De boca aberta, calada,
Como a espera do ofert├│rio.
Como vigia em vel├│rio,
Que tem um jeito que ├ę t├úo seu.
Tem muito de terra... ├ę c├ęu,
Que a gente sente ajoelhando,
De mãos postas levantando
O pago inteiro para Deus.

Sou o sono do cusco amigo,
Dormindo sobre o borralho.
Sou vozerio do trabalho,
Na guerra ou na paz - sou perigo.
Sou lápide de jazigo
Perdido nalgum potreiro.
Sou manha de caborteiro,
Sou voz rouca de acordeona,
Cantando triste e chorona,
Um canto chão brasileiro.

Sou a graxa da picanha
Na bexiga enfuma├žada,
Sou cebo de rinhonada.
Me garantindo a fa├žanha.
Sou voz de campanha,
Que nos lan├žantes se some.
Sou boi-ta-tá - lobisomem.
Sou a santa ignorância.
Sou o ├şndio sem inf├óncia,
Que sem querer ficou homem.

Sou Sep├ę Tiaraj├║,
Rio Uruguai, rio-mar azul,
Sou o cruzeiro do sul,
A luz guia do ├şndio cru.
Sou galpão, charla, Sou chirú,
de magalhanicas viagens,
Andejei por mil paisagens,
Sem jamais sofrer soga├žo.
Cresci juntando peda├žos
De brasileiras coragens.

Sou enfim, o sabiá que canta,
Alegre, embora sozinho.
Sou gemido do moinho,
Num tom triste que encanta.
Sou p├│ que se levanta,
Sou raiz, sou sangue, sou verso.
Sou maior que a hist├│ria grega.
Eu sou Ga├║cho, e me chega
P'rá ser feliz no universo.


Autor: Marco Aur├ęlio Campos

 
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