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Poesia: Cemitério de campanha
 
Cemitério de campanha,
Rebanho negro de cruzes,
Onde à noite estranhas luzes
Fogoneiam tristemente;
Até o próprio gado sente
No teu mistério profundo
Que és um pedaço de mundo
Noutro mundo diferente.

Pouso certo dos humanos
Fim de calv√°rio terreno,
Onde o grande e o pequeno
Se irmanam num mundo só.
E onde os suspiros de dó
De nada significam
Porque em ti os viventes ficam
Diluídos no mesmo pó.

Até o ar que tu respiras
Morno, tristonho e pesado,
Tem um cheiro de passado
Que foi e n√£o volta mais.
A tua voz, s√£o os ais
Do vento choramingando
Eternamente rezando
Gauchescos funerais.

Coroas, tocos de vela
De pavios enegrecidos
Que tem Terços mal concorridos
Foram-se queimando a meio
Cruzes de aspecto feio
De alguém que viveu penando
E depois de andar rolando
Retorna ao ch√£o de onde veio.

Mas que importa a diferença
Entre urna cruz falquejada
E a tumba marmorizada
De quem viveu na opulência?
Que importa a cruz da indigência
A quem j√° n√£o vive mais,
Se somos todos iguais
Depois que finda a existência?

Que importa a coroa fina
E a vela de esparmacete?
Se entre os varais do teu brete
Nada mais tem import√Ęncia?
Um patr√£o, um pe√£o de est√£ncia
Um doutor, uma donzela?
Tudo, tudo se nivela
Pela insignific√£ncia.

Por isso quando me apeio
Num cemitério campeiro
Eu sempre rezo primeiro
Junto a cruz sem inscrição,
Pois na cruz feita a fac√£o
Que terra a dentro se some
Vejo os ga√ļchos sem nome
Que domaram este ch√£o.

E compreendo, cemitério,
Que √©s a √ļltima parada
Na indevass√°vel estrada
Que ao além mundo conduz
E aqueces na mesma luz
Aqueles que n√£o tiveram
E aqueles que n√£o quiseram
No seu jazigo uma cruz.

E visito, de um por um,
No silêncio, triste e calmo,
Desde a cruz de meio palmo
Ao irnais rico mausoléu,
Depois, botando o chapéu
Me afasto, pensando a esmo:
Será que alguém fará o mesmo
Quando eu for tropear no Céu???


Autor: Jayme Caetano Braun

 
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