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Poesia: Nostalgia gaúcha
 
 

Tenho o tempo e vento,

A traduzir a nostalgia,

Em fragmentos de luz

Da terra campesina,

Onde retornei ao mundo

No alvorecer do dia.

 

O tempo a distanciar-me,

Da infância macanuda;

Vivida no torrão sul brasileiro,

Onde aprendi a fazer pátria

Nas cátedras da vida,

Reverenciando a nação futura.

 

O vento sulino, que sopra e emana;

Nos fins de tarde carmesins

Traz-me o cheiro dos pampas,

Traduzido num aroma de sereno

Com sabor de mel da lichiguana,

Que o sugou de um pé de jasmim.

 

Ao matear solilóquio no descampado,

No romper da aurora ou à tarde,

Bate em suavidade sem pedir licença

Em minhas narinas o cheiro sem alarde

De um guarda fogo de angico aceso,

Remanescente do acampamento farrapo,

A esquentar a água ao guapo ileso;

Na chaleira preta sobre as chamas e facho

Para o inseparável mate da renascença.

 

 

Soam na paisagem estrilhos,

Que os ventos do sul dirigem,

Em versos nativos na escrita séria,

A traduzir a buenacha poesia gaúcha,

Brotando nos ouvidos como bolero,

Espargindo em perfeita consonância,

Na voz de Sepé, a historia gaudéria;

Registrada nos anais e conduzida

Nas penas, em mãos dos poetas,

Filhos do amor em constância,

Entre, a sensibilidade e Homero.

 

O minuano trás-me aqui neste pago,

Onde estou, a lembrança do guri,

Tez lisa, madeixa hirta e pele latina;

A banhar-se no remanso da sanga,

Que guarda as mesmas águas claras,

Que banharam o corpo da linda china,

Beleza inefável, que num sorriso,

Traduz nas melenas, o aroma de lavanda;

E sua carnuda boca cor de curi,

Que bebeu a água fresca da cacimba.

 

A china, a mesma china intemerata,

Epíteto eterno de deusa e de prenda,

Que enquanto o índio guapo combatia,

Em trincheiras e descampados, os paisanos,

Em sangrentos embates farroupilhas,

Educava a prole e cuidava da fazenda.

 

Contemplo as nuvens com a força e sopro do vento,

A bailar na aquarela de Rembrandt e Salvador Dali,

A deslizar os pinceis de Modigliani, Renoir e Picasso,

Que desenham nas telas da vida nativa e do tempo

A efígie bela e suave, como um revoar de colibri;

Dessa mesma china, tríade de mãe, guerreira e santa;

Que no seu terno e suave cenho macio de acalento,

Nas refregas da vida, a tristeza do peão garbo espanta.

 

Uma prenda, uma mãe, uma deusa, um referencial,

Guardiã eterna da mais cara tradição em forte laço

Da iguaria e costumes da gaúcha cultura tradicional.

 

O vento sabor de tempo e lembrança

A repontar no horizonte da história,

A imagem dos sacerdotes jesuítas,

Adentrando o prado, vestindo a sotaina preta,

Numa contradição viva em suas retóricas

Como divinos e destruidores alienígenas.

 

É assim que entre alegrias e dissabores

Dentro dos registros da história, os vejo,

Alargando meu aprendizado, que expande,

Porém, sufocando a milenar cultura indígena,

Que recebi numa irmanada transfusão de sangue

Desde a muito, de meus ancestrais andejos.

 

Ao chegarem em minhas terras,

Ingênuo, tive de renunciar o destino,

A minha crença, meus costumes,

Meus ritos, minhas tradições...

Espargidas pelos pampas,

Coxilhas e vales andinos.

 

Era livre, não havia tristeza,

Pairavam ao longe, a dor e a doença;

Passei então a temer meu próprio destino

Longe de minhas raízes culturais,

Podado na raiz, distante do velho pajé,

E prostrado na humilde sutileza,

Diante do monge e seu símbolo de fé.

E o meu Deus num triste abandono,

Ficou a pairar proibido na coxilha,

A definhar nos braços, da desesperança.

 

Não bastasse o bárbaro crime,

Que cometi a meus antepassados,

Tive, que belicosamente montar o bagual,

Para enfrentar nas linhas de combate em riste,

Os canhões, adagas, lanças e as cuspideiras de fogo.

Que destruíram as reduções, os povoados;

A resistência e a sobra de esperança, de meu povo,

Numa sangrenta insânia, que até hoje oprime;

Por ordem direta do Marques de Pombal.

 

Mas, como disse Caetano Braun

“O eterno não morre” e por isso,

Continuo vivo a combater hoje

Os modismos e as culturas alienígenas,

Que me rodeiam em frenesi assaz,

Para arraigar-se em minhas terras

Que traduzem um passado de glorias

E um futuro promissor, repleto de paz. 


Autor: Davi Roballo - www.daviroballo.blogspot.com

 
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